Magoam-me as pessoas que por estarem presas ao tempo, se deflagram pela erosão dos seus passados. Não quero saber se és ateu ou não, apenas me interessa se estás consciente ou não do líquido inflamável que te acende o sangue. Tomo por arrogância aquele que me fisga o olhar sem saber quem eu sou na realidade. O que causa mais impressão é a mente que especula fios de pensamentos e pensamentos e nada tem a dizer sobre o sentir. O sentir é talvez o objecto de estudo mais interessante a ser realizado pela mente cognitiva pois direciona-a para o coração, que é onde não temos andando a espreitar. E vejo tanta gente, jovem ainda por cima, a crescer com esta ideia que construíram no seu 'pseudo-altar de ser pragmático intelectual' de que é a monopolizar os outros que se atingem metas e objetivos pessoais. Estará em extinção o bom samaritano? Sempre existiram, essa é a verdade. Assim como haverão outros de mente fina capazes de distinguir o bem e mal de uma ação com destreza. Admiro a estética da filosofia que nos conduz a uma verdade através de argumentos persuasivos e sedutores, mas há um território ilícito para a filosofia sequer ousar entrar: o campo das sensações íntimas, dos sais que nutrem os poros da alma. Aí a persuasão é menos aflitiva, menos forçada e desesperante...É na verdade, tão suave como uma boa noite de sono. Não se induzem revelações 'á força' excepto se forem adiadas. O que tiver que vir, vem. Ver o mar dentro de nós a tecer paredes de calma e satisfação é uma dádiva que muitos já desfrutaram; e isto aconteceu num dia ou hora ao acaso, quase como um chamamento auto-convocado pelo observador ao objecto, onde os dois se fundem inexplicavelmente e se fazem um só.
Ando tão obcecado com a realidade que por vezes me quero ver livre dela. Demasiada realidade faz mal. Demasiada, isto é, daquela de pobre qualidade: que aspira a se tornar mais Real.
domingo, 17 de março de 2013
sábado, 2 de fevereiro de 2013
domingo, 20 de janeiro de 2013
Rain from yourself. 'Til you are dry.
Ouvir Moby numa tarde chuvosa acalma-me os nervos de querer sair à rua e implorar pela aragem quente de verão. Faz-me realmente gostar do tempo e observar a beleza contida nele. A poesia das gotas que escorrem pelo vidro da janela é uma dialéctica táctil que diz aos sentidos para se sentarem no seu trono, no seu sítio alto donde contemplam a não-forma do pensamento amoroso. Céus, que dia chuvoso... Cada gota será um presente ao solo. São projécteis de seda quente que ao embater no tímpano combatem a solidão, gota a gota, ritmados pela inconsistência que os faz tão agradáveis ao coração.
Fazemos paraísos em qualquer terra barrenta, em qualquer solo pestilento e inóspito; todos temos o amor necessário para depositar nele e o fazer sagrado. A alegria corre em ti no momento em que apagas o ciúme de queres algo melhor numa outra parte de ti mesmo. O dia é cinzento, mas o solo é sagrado; não é mais o discurso do não-desejo do guru da esquina, é adaptar os contextos e significados de estados psicológicos que nos são subliminarmente impostos pelos ambientes que nos envolvem; a transformação dá-se na psique e é um tipo de hedonismo sofisticado, que realça a beleza daquilo que é infame, e o torna sublime. É ver a totalidade de um objecto que por momentos esteve sob a escuridão mas que agora se pode ver na sua total dimensão.
É bonito. É majestoso. Nós, da nossa espécie que retemos esta característica inata que nos entranharam no peito para formalizar no inconsciente do homem a condição colectiva de humano. Talvez sejam as infindáveis histórias de sacrifício e bondade que observámos em tenra idade. Já sabemos que podemos mudar as coisas com a mera mudança da direcção da abordagem de um problema. Vinculemos assim este dia como genial e energético.
Fazemos paraísos em qualquer terra barrenta, em qualquer solo pestilento e inóspito; todos temos o amor necessário para depositar nele e o fazer sagrado. A alegria corre em ti no momento em que apagas o ciúme de queres algo melhor numa outra parte de ti mesmo. O dia é cinzento, mas o solo é sagrado; não é mais o discurso do não-desejo do guru da esquina, é adaptar os contextos e significados de estados psicológicos que nos são subliminarmente impostos pelos ambientes que nos envolvem; a transformação dá-se na psique e é um tipo de hedonismo sofisticado, que realça a beleza daquilo que é infame, e o torna sublime. É ver a totalidade de um objecto que por momentos esteve sob a escuridão mas que agora se pode ver na sua total dimensão.
É bonito. É majestoso. Nós, da nossa espécie que retemos esta característica inata que nos entranharam no peito para formalizar no inconsciente do homem a condição colectiva de humano. Talvez sejam as infindáveis histórias de sacrifício e bondade que observámos em tenra idade. Já sabemos que podemos mudar as coisas com a mera mudança da direcção da abordagem de um problema. Vinculemos assim este dia como genial e energético.
sábado, 12 de janeiro de 2013
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